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Destinos Incríveis

Morro do Chapéu, um clima europeu na Chapada Diamantina

Postado em: 08/12/2018
Por: Adilson Fonsêca

Você quer se sentir num clima europeu sem sair da Bahia, a pouco mais de 4 horas de Salvador? Quer mergulhar na natureza, conhecer cavernas instigantes, entre elas a segunda maior do Brasil? Experimentar uma culinária típica de dar água na boca? Tomar um bom vinho feito ali mesmo, com uvas selecionadas? Ou prefere uma geleia de marmelo, feita artesanalmente numa comunidade quilombo? Bom, então vamos nessa. O Bahia Noite e Dia vai te ajudar a conhecer um lugar especial na Chapada e que você não pode deixar de ir. O nome? Morro do Chapéu. E quem sabe lá você ainda pode dar de cara com um disco voador!

Você já deve ter chegado em outras cidades e ao preencher a ficha do hotel ou pousada uma jovem delicada lhe oferecer flores. Já deve até ter encontrado um jarro em seu quarto com algumas flores. Não é comum, mas não é tão raro assim. Mas em Morro do Chapéu é diferente. Você já é recebido por flores de um jardim natural, na entrada da cidade, para sentir o clima do que lhe aguarda.

A largada para essa aventura pode começar em Salvador, cortando a BR 324. Daí é hora de avançar pela planície, na rodovia BA-052 (Estrada do Feijão). A partir da cidade de Baixa Grande, você já começa a renovar o oxigênio nos pulmões. De forma amena, você começa uma subida que vai te levar a 1.100 metros de altura e à cidade de Morro do Chapéu, a mais alta da Chapada Diamantina. Ali a temperatura média durante o dia fica em torno de 22º C, mas à noite ela pode cair a menos de 10°C. E isso tudo, entre os meses de maio a outubro, sem chuvas. Não esqueça, portanto, daquele casaco de frio que anda esquecido no armário.

Para quem imagina que na Bahia o turismo se resume ao seu rico litoral, com aos 1.100 quilômetros de praias encantadoras, vai se surpreender ao chegar nessa localidade, de 38 mil habitantes, dos quais pouco mais de 10 mil na sede do município, com a diversidade de opções de diversão, principalmente se você ama a natureza. São caminhadas, trilhas, banhos de cachoeira e pesquisas nas diversas cavernas e grutas, algumas com pinturas rupestres, e uma rica vegetação, de onde se sobressaem as orquídeas.

A cidade oferece infraestrutura hoteleira bem razoável, restaurantes, bares e uma culinária rica e variada, desde os sofisticados pratos da comida italiana e chinesa, frutos do mar preparados em panela de barro, a comida regional, tipicamente caseira, como o andu, mangalô e feijão de corda, grãos cultivados na região. É como se mãos mágicas resolvessem se unir para dar forma a segredos dos avós para levar à mesa pratos que vão te deixar com vontade de voltar à cidade só para provar de novo.

Morro é assim. A cidade te encanta, te seduz e te faz não querer ir mais embora. O povo sorri diferente, parece querer te agradar, mas é tudo natural. Assim é a vida por lá. Dai fica difícil dizer adeus a um cantinho tão gostoso de Bahia, arrumar a sacola e partir. O coração aperta. Não há luxo, nem riqueza, mas há uma natureza transbordando de energia. Dá vontade de ficar um pouco mais, estender por mais uns dias o passeio, ou prometer baixinho, a si mesmo: ainda volto nesse lugar e se possível já no ano que vem. Tenha certeza: você não será o primeiro nem o único a pensar assim.

E vamos falar de mais uma riqueza de Morro. Para os amantes do vinho, Morro do Chapéu produz espumantes e vinhos tintos das uvas Shiraz, muito cultivada na França e recentemente na Austrália, e o tipo Chardonnay, da qual é fabricado vinho branco de qualidade e espumantes. Mas a cidade também produz morangos, figos, pêssegos e agora maçãs, graças ao seu clima frio e seco.

Turismo – A beleza de Morro do Chapéu começa nos acessos. Para quem vem se Salvador, são 380 quilômetros de boa estrada, pela BR-324 até Feira de Santana, e depois pela BA-052 (Estrada do Feijão). Sem pressa, a melhor opção é ir pelas cidades de Baixa Grande, Mundo Novo e Piritiba, numa subida constante e de onde se pode apreciar a Chapada no alto, com vales profundos e uma farta vegetação de florestas, cerrados e caatinga.

A 18 quilômetros da cidade, passa-se pelos povoados de Ventura e Fedegoso. Ventura é a antiga sede do município na época do garimpo (séculos XVIII e XIX), e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), restando hoje pouco mais que 10 famílias no local. Um pouco mais adiante, está a Cachoeira do Ferro Doido, tombado como Patrimônio Natural. Em suas trilhas existem orquídeas e uma infinidade de formações geológicas.

Grutas e cavernas – A mais importante delas é a Gruta dos Brejões, que fica a 70 quilômetros da sede. É a segunda maior caverna do Brasil, com 7,7 quilômetros de extensão, 123 metros de altura e 60 metros de largura. No final da caminhada (sempre acompanhado de um guia) ela desemboca no Rio Jacaré, já perto do município de Gentio do Ouro.

Arqueologia – Figuras rupestres são bem preservadas em três sítios arqueológicos, em meio a bromélias e a mais de 40 espécies de orquídeas. Três grutas – Brejões, Boa Esperança e Cristal – são objetos de estudos de várias universidades brasileiras.
O Buraco do Possidônio, com 80 metros de profundidade, é uma cavidade formada no solo, que segundo dizem arqueólogos que visitaram a região, pode ter sido formada com a queda de um meteoro, e que hoje abriga uma diversidade de vegetação e formações rochosas, com árvores nativas nobres, como o cedro.

Cultura – Com opções diversas, em Morro do Chapéu, como em muitas cidades da Chapada Diamantina, pode-se beber a tradicional cachaça artesanal feita nos diversos alambiques, mas também os doces e geleias de marmelo, feitos nas cinco comunidades quilombolas da região.

Na sede, em plena atividade, uma das filarmônicas mais antigas da Bahia, a Sociedade Filarmônica Minerva, fundada em 21 de outubro de 1906, ainda costuma fazer apresentações em eventos na cidade. É de lá também o segundo jornal mais velho da Bahia, o Correio do Sertão, fundado há 1891 anos e que ainda circula quinzenalmente na região.

A cidade ainda tem o Balneário do Tareco, com suas águas termais e segundo a população, medicinais; o Morrão, morro que deu origem ao nome do município por ter a forma de um chapéu, sendo visto do lado Sul; além de um centro ufológico e a Vila do Ventura. As histórias de discos voadores (UFO, OVNI) são contadas por todos e fazem parte do folclore da cidade, tanto na sede como no povoado de Ventura, onde existem monumentos e até uma família que reside em um espaço que diz ter sido deixado pelos extraterrestres.

Como chegar
– De Salvador saem ônibus confortáveis em direção a Morro do Chapéu, em viagens que duram em média entre seis e oito horas.
– Para quem vai de carro, a opção é seguir pela BR_324 até Feira de Santana e de lá seguir pela BA-052, em duas opções, direto até a cidade, ou pegando um desvio uma hora mais longo, pelas cidades de Baixa Grande, Mundo Novo e Piritba até o povoado de Porto Feliz.

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