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A fascinante Salvador, mais bela ainda, aos 470 anos

Publicado em: 04/04/2019
Por: Adilson Fonsêca


Inegavelmente Salvador está mudada. Daquela cidade de 2.675.656 habitantes, conforme o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) de 2010, com sérios problemas de mobilidade urbana, com uma estrutura precária de serviços e com poucos atrativos turísticos E na previsão feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é de 3.039.444 pessoas neste ano, o quadro é totalmente diverso. A primeira capital do Brasil se renovou, sem perder a sua identidade histórica e cultural, e por isso mesmo, ganhou admiração dos baianos e turistas.

E Salvador guarda essa característica de unir o novo e moderno, com a sua ancestralidade, que data de 1549, quando aqui aportou o navegador português Thomé de Souza. A partir da Praia do Porto da Barra – considerada uma das melhores do Brasil – ele subiu onde hoje é a Ladeira da barra e adentou pelas encostas, construindo as primeiras fortalezas e mais tarde, já no cume de onde hoje se situa o Elevador Lacerda, construir as primeiras edificações públicas, fundando ali a sede do 1º Governo Geral do Brasil.

É essa mistura de história, arquitetura, com a miscigenação entre índios e portugueses, e mais tarde com escravos africanos, que faz da capital soteropolitana uma das cidades mais multiculturais do país. Roteiros que unem referências da tradição e da modernidade reforçam a vocação turística da cidade que, durante 214 anos, foi a capital do Brasil Colônia, entre 1549 e 1763. No centro histórico, que abriga monumentos reconhecidos pela Unesco como patrimônio histórico e cultural da humanidade, novos empreendimentos misturam-se às edificações centenárias. Além de vias e calçadas que foram reestruturadas com obras de requalificação em nome do conforto e da acessibilidade, dois prédios históricos viraram hotéis de luxo.

Subindo a ladeira – A Salvador histórica, cantada em proza e verso por Moraes Moreira e Caetano Veloso, começa pela Praça Castro Alves, onde a estátua do poeta parece saudar o pôr do sol da Baía de Todos os Santos, enquanto parece falar com quem sobe e desce a ladeira em direção à Rua Chile ou Avenida Sete de Setembro. Ali no ar de modernidade se estampa com o luxuosíssimo Hotel Fasano, um cinco estrelas em um prédio retrô em estilo art déco, do início do século passado, mas com tudo o que há de mais moderno e conforto.

No antigo prédio do jornal A Tarde, de fachada imponente, os visitantes do suntuoso hotel ainda desfrutam de restaurante e terraço com bela vista para a Baía de Todos-os-Santos. Na mesma região, na Rua Chile, o antigo Palace Hotel, em formato triangular herdado do nova-iorquino Flatiron Building, virou referência internacional ao abrigar um novo hotel de luxo com piscina de borda infinita e lounge também com vista privilegiada para a Baía.

Outros investimentos públicos valorizam ainda mais o legado arquitetônico da cidade. A atual Rua Chile, construída pelo então governador-geral do Brasil Tomé de Souza, por si só é um atrativo turístico no acesso ao Pelourinho. A via ganhou pavimentação de paralelepípedos, novas calçadas e fiação subterrânea, valorizando as fachadas dos prédios históricos renovados. O passado está bem preservado no casario, nas igrejas e nos museus.

No centro religioso da Sé – Porta de entrada para o Pelourinho, a Catedral Basílica, ou Catedral da Sé, abre suas portas ao visitante totalmente reformada. A catedral forma o conjunto de construções religiosas que deu origem ao Terreiro de Jesus, onde estão as igrejas de São Pedro, São Domingos, São Francisco e Ordem terceira do São Francisco.

Nesse quadrado, que dá acesso ás ladeiras, becos e ruas do Pelourinho, a arquitetura colonial e barroca se destaca nas igrejas com alguns dos templos mais antigos e importantes de Salvador. A Catedral Basílica, em estilo maneirista, inaugurada em 1657 e reformada recentemente, reabriu para visitação e serviço religioso. No Largo do Cruzeiro de São Francisco, a Igreja de São Francisco é outra parada obrigatória dos turistas em Salvador, com sua fachada barroca e o interior folheado a ouro. Descendo o Largo do Pelourinho, a também reformada Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos chama a atenção pela fachada em estilo rococó e as torres em formato de bulbos.

Sede do Governo – Na Praça Tomé de Souza, onde está o Elevador Lacerda, fica o imponente Palácio Rio Branco, que abriga o Memorial dos Governadores da Bahia. Construído em 1549, o prédio de estilo eclético passou por várias reformas. O turista pode visitar várias salas com tapetes e obras de arte, entre outros objetos de valor histórico e cultural. Destacam-se a Sala dos Espelhos, em estilo rococó, e a Sala Pompeana, com afrescos dos séculos IX e XX. No segundo piso, os aposentos utilizados no passado pelos governadores, desde o período colonial, aguardam o visitante.Mas ali também´[em está a antiga Cadeia Pública, onde hoje funciona a Câmara dos Vereadores.

Museus – A Salvador de 2019 não perdeu a sua história e hoje conta com vários museus, muitos deles, localizados no Centro Histórico de Salvador. Entre eles, estão o Tempostal (postais, fotografias e estampas históricas), Abelardo Rodrigues (peças de arte sacra), Udo Knoff (azulejaria e cerâmica), Eugênio Teixeira Leal (moedas e medalhas), da Misericórdia (móveis, pinturas e azulejos portugueses) e da Cidade (acervo diversificado).

Há, o recém reformado e aberto ao público Museu da Misericórdia, na entrada para a Praça da Sé, e ainda, o Museu Nacional de Cultura Afro-Brasileira (Muncab), no prédio neoclássico do antigo Tesouro, que virou centro de referência da herança cultural africana, e a Casa do Carnaval, referência sobre a festa mais popular do Brasil com exposições interativas.

Além das portas da cidade – A ladeira de acesso ao Carmo formava a antiga porta de entrada para o centro urbano e administrativo da Salvador colonial, que começava na Ladeira do Pelourinho e ia até a entrada da Rua Chile. No sentido inverso, é acesso para o bairro de Santo Antônio Além do Carmo, que tem, logo no início, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão, outro templo que passou por reforma recentemente e ostenta um conjunto de arcadas na parte posterior.

No Alto do Carmo, a Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, construída em 1736, reabriu depois de reformada. O templo ficou famoso pela cena do filme “O Pagador de Promessa”, de 1962, na qual o protagonista Zé do Burro sobe a longa escadaria, também restaurada, ligando a Ladeira do Carmo à Rua do Passo. Por conta deste destaque, além da arquitetura e do estilo barroco, o local costuma atrair muitos turistas.

NOVA ORLA – Com 46 km de praias, do Porto da barra até a Praia de Stella Maris, nos limites com o município de Lauro de Freitas, Salvador tem uma extensa e moderna orla marítimas. E isso sem contar com as duas orlas subjacentes, a da Cidade Baixa, com as praias da Ribeira, Boa Viagem e Cantagalo, e do Subúrbio Ferroviário, onde se destaca a Praia de São Thomé de Paripe/Inema, que costuma ser abrigo dos presidentes das repúblicas nos festejos de Ano Novo.

São várias intervenções urbanas nas praias voltadas para o mar e dentro da Bahia de Todos os Santos. Entre outros trechos, o projeto de requalificação da orla de Salvador já contemplou os bairros da Barra, Boca do Rio, São Tomé de Paripe e Tubarão. As intervenções mais recentes foram no bairro do Rio Vermelho, Amaralina, Praia da Paciência e Ondina. O projeto inclui, ainda, as praias de Ponta de Humaitá, Jardim de Alah, Armação, Plataforma, Piatã, Itapuã, Stella Maris, Flamengo e Ipitanga.

Uma das áreas mais impactadas com a revitalização foi a Barra, com novo paisagismo, iluminação, piso compartilhado com ciclistas e pedestres e tátil para pessoas com deficiência, rampas de acesso à praia, quiosques para informações turísticas e comércio de coco e acarajé, sanitários públicos, posto salva-vidas, entre outras intervenções. Parte dos recursos foi viabilizada pelo Prodetur Nacional.

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