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É hora de festejar Iemanjá, no Rio Vermelho

Publicado em: 25/01/2019
Por: Adilson Fonsêca/Paulo Sampaio


Na Bahia o tempo não para e as festas e manifestações culturais se sucedem durante todo o verão. Para acompanhá-las é preciso não apenas vontade, mas uma disposição além do normal, que só se vê por estas bandas do Brasil. Se você curtiu a lavagem do Bonfim, agora é a festa de Iemanjá, dia 02 de fevereiro, no Rio Vermelho, uma espécie de abertura do Carnaval de Salvador. Daí em diante vai ser festa todo dia.

Retome o fôlego e se prepare para outro mega evento, dessa vez no próximo dia 02 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, com a Festa de Iemanjá.  Enquanto a data não chega, vá se aquecendo com diversos eventos, com os ensaios de bandas e blocos carnavalesco no Pelourinho, no Terminal Náutico ou em espaços privados como o Wet n wild, Museu do Ritmo ou mesmo na eclética boate San Sebastian. De quebra, ainda, tem a lavagem de Itapuã, como aperitivo para Iemanjá  e por fim, o Carnaval.

Considerada a terceira maior festa popular de Salvador, atrás apenas do próprio Carnaval e da lavagem do Bonfim, a festa do Rio Vermelho é quase que um feriado na cidade. Todos os caminhos levam aos largos da Mariquita, da Paciência e de Iemanjá, onde o dia todo é de oferendas à Deusa das Águas, que também pode ser reverenciada como Iara e onde mais uma vez, como tudo na Bahia, se manifesta o sincretismo religioso e cultural, depois coroado com o chamado lado  profano das festas até o amanhecer do dia seguinte.

Este 02 de Fevereiro cai numa sexta-feira e então já viu… Em Salvador não vai ser quase. É feriado mesmo, sinônimo de um final de semana prolongado. E o boêmio e mais eclético bairro de Salvador, o Rio Vermelho, vai estar em festa.

Reserve o seu presente, se você é devoto ou não – flores, perfumes, colares, contas – e se prepare para uma das mais belas manifestação do sincretismo religioso, quando os presentes para a Rainha das Águas, vão em um barco especial, acompanhado de dezenas de outras  embarcações, em direção ao mar para a cerimônia da oferenda.

Yemanjá – Em Salvador, a Festa a Iemanjá é considerada uma das maiores do País, manifestações, mas em dimensões bem menores, no Rio de Janeiro e Recife. A festa é um a manifestação do sincretismo religioso, que une as devoções de Nossa Senhora Santana, no Catolicismo, com Oxum, o orixá das águas.

Os historiadores contam que a festa teria surgido quando a celebração do presente de Iemanjá, antes feita no Dique do Tororó, foi transferida para a Praia do Rio Vermelho, em 1923. Ali os pescadores  armam um barracão para receber as oferendas dos fiéis, na  Casa do Peso, localizada defronte à Igreja de Nossa Senhora Santana. O culto a Iemanjá foi trazido ao Brasil no final do século XVIII pelo povo iorubá,  na Nigéria.

Na África, Iemanjá é uma divindade das águas doces e está associada à fertilidade das mulheres, à maternidade e principalmente ao processo de continuidade da vida. No Brasil, Iemanjá foi associada às sereias do paganismo europeu, às diferentes  denominações de Nossa Senhora, e às iaras ameríndias (variante das sereias). No candomblé, ela é saudada com a  expressão africana “odoiyá”, que significa “mãe do rio”.

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A tradição da festa teve início no ano de 1923, quando um grupo de 25 pescadores resolveu oferecer presentes para a mãe das águas. Nesta época os peixes estavam escassos no mar. E no dia seguinte, as redes trouxeram fartura como nunca. A fé passou a ser uma marca e daí em diante, Iemanjá é cultuada como se a atender todos os pedidos.

No início, a celebração era feita em conjunto com a Igreja Católica, numa demonstração do sincretismo religioso da Bahia. Hoje a festa é mais dos pescadores e assume muito do seu lado profano, sendo pretexto para muito samba de roda, axé e outros ritmos mais, pelo dia e pela noite.

Existe uma superstição sobre os presentes dados a Iemanjá que não afundam, indo parar na areia da praia. Segundo ela, Iemanjá não gostou do presente e o teria devolvido,  causando grande frustração e preocupação aos devotos. Com os cuidados hoje com o meio ambiente, recomenda-se que os presentes sejam degradáveis, em especial flores naturais.

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