简体中文NederlandsEnglishFrançaisDeutschItaliano日本語PortuguêsEspañol
Home > Destinos Incríveis > Prepare o branco para celebrar a Lavagem do Bonfim,

Prepare o branco para celebrar a Lavagem do Bonfim,

Publicado em: 28/12/2018
Por: Adilson Fonsêca


Ainda faltam mais de dois meses  para o carnaval de Salvador. Antes disso a cidade oferece aos baianos e turistas as festas da lavagem de Itapuã e do Rio Vermelho (Festa de Iemanjá). Contudo, é na segunda quinta-feira do ano que acontece a maior delas, a Lavagem do Bonfim, num trecho de oito quilômetros de extensão, entre a Praça Cayru/Elevador Lacerda e a Colina Sagrada, onde fica a Igreja do Bonfim.

Em Salvador, terra do sincretismo, não importa qual a sua religiosidade. Se é Católico ou adepto das religiões de matrizes africanas, evangélico, espírita ou ateu. As manifestações culturais, incluindo as religiosas, cabem todas elas com um único propósito, o espírito democrático que faz de Salvador e de toda a Bahia, uma terra que acolhe a todos.

A Lavagem do Bonfim, tradição que se repete há 264, une todas as crenças numa manifestação de alegria e espontaneidade. Começou com uma devoção religiosa, em 1754. Vinte anos depois, escravas iniciaram a lavagem da igreja, num ritual que misturava religião, música e dança, que eram executada e entoadas ao longo do trajeto na subida da Colina Sagrada. De lá pra cá isso se manteve e foi ampliado, não só com religiosos e as baianas, mas com grupos folclóricoi9s, políticos e movimentos sociais.

As baianas, geralmente ligadas aos cultos afro-brasileiros, como o candomblé, empunham com as vestes coloridas e adornadas por contas e rendas, dançam e cantam ao longo do trajeto ao som do Hino ao Senhor do Bonfim, e ao chegarem à porta da igreja, derramam das “ quartinhas” a água de cheiro e fazem uma espécie de benção aos que buscam proteção no famoso “banho de cheiro”. O banho, com as essências perfumadas, simbolizam o ritual da Igreja Católica da “Água benta”, e como tal, é tido como portador de boas energias e proteção.

Fé e resistência- “Quem tem fé vai a pé”,é uma referência ao teste de resistência física que dezenas de milhares de pessoas de todos os credos, cores e ideologias têm que ter para fazerem o percurso de oito quilômetros do cortejo. E a maioria o faz com alegria e descontração. Entre grupos musicais, folclóricos, dançam, brincam, cantam e protestam, porque a Lavagem do Bonfim é também um campo de manifestações políticas.

Tudo começa de forma bem democrática, com um culto ecumênico, que reúne representantes de diversos credos e religiões no adro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, que ao contrário dos que muitos pensam, é ela, e não o Senhor do Bonfim, a padroeira do Estado da Bahia. A maioria se veste de branco, a cor do orixá, mas não é um ritual, costume apenas, polis a festa abriga todas as cores.

O ponto alto da festa ocorre quando as escadarias da igreja são lavadas por cerca de 200 baianas vestidas a caráter que, de suas “quartinhas” – vasos, que trazem aos ombros – despejam água perfumada com alfazema e flores diversas, nas escadarias e no átrio da igreja, ao som de palmas, toque de atabaque e cânticos de origem africana. Turistas e baianos aproveitam para um “banho”, bênçãos e rezas.

Para quem não tem disposição física para fazer todo o percurso, nada é perdido. Pois nas calçadas, nos bares e restaurantes improvisados nas sacadas e recepções dos prédios da área do Comércio, pode-se ver todo o cortejo e até mesmo participar dos grupos de samba-de-roda, capoeira ou alguma manifestação política contra ou a favor. Ou curtir também algumas festas privadas, com preços variados, que acontecem no Terminal Náutico, próximo ao Mercado Modelo, e Bahia Marina, na Avenida de Contorno.

Na Bahia não importa qual o tipo de credo ou religião. Com o seu sincretismo os adeptos do candomblé associam a imagem de Jesus à Oxalá, assim como a de Jesus Crucificado à Oxalufan (uma representação de Oxalá velho). A Lavagem do Bonfim é uma forma de também se reverenciar os orixás, os santos católicos e manifestações de fiéis de todas as crenças e religiões.

Compartilhar: