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Saveiros resistem ao tempo, mas são cada vez mais raros

Publicado em: 25/07/2020
Por: Paulo Sampaio


Eles chegaram a ser uns 1.200 a singrar as águas nem sempre mansas da Baía de Todos os Santos para transportar a riqueza que vinha do recôncavo. O destino era sempre a rampa do Mercado Modelo e, da década de 90 para cá, a Feira de São Joaquim.
Tendo como propulsão exclusivamente suas imponentes velas brancas, manejadas com extrema habilidade por braços musculosos e queimados pelo sol de seus “marinheiros”, a navegar ao sabor do vento e da maré, os saveiros ajudaram a escrever a história da Bahia.

Perfeitos numa época em que a correria não batia ponto nos portos de embarque e desembarque, vinham se arrastando, equilibrando-se nas ondas, ao sabor do vento. Alguns preferiam viajar a noite, guiados pela luz e pelo brilho das estrelas, para amanhecer bem cedinho no porto, melhor hora para o desembarque e a entrega das mercadorias.
Imortalizados por Jorge Amado, os saveiros resistiram por muitas décadas, até que as estradas foram sendo asfaltadas e os caminhos encurtados. As viagens antes repletas de farinha de mandioca, banana da prata e da terra, manga rosa e espada, azeite de dendê, pimenta malagueta e demais produtos produzidos nesse cinturão que circunda a Baía de Todos os Santos, passaram a escassear. E os saveiros perdendo a vida.


Hoje, pouco mais de duas dezenas seguem a navegar nas águas azuis da Baía de Todos os Santos e com missões bem menos nobres. Transportam pedra, vez ou outra, artesanato feito de barro na tradicional Nazaré das Farinhas, para alguns clientes especiais.
Um ciclo que se fecha, mas que ainda pode ser apreciado por você, contemplando o horizonte, de uma das muitas sacadas dos casarões debruçados sobre a encosta da Cidade Alta.


Preguiçosamente eles seguem a singrar o mar da Baía até que nada mais tenham a transportar a não ser o sonho e as histórias de uma época que está se findando.

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