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Um mergulho na história da primeira capital do Brasil

Publicado em: 30/09/2019
Por: Adilson Fonsêca


Para quem está em Salvador nesse período pré-verão, e não quer curtir só praiate, nada melhor que dar um mergulho diferente.  Mergulhar na história e na cultura da primeira capital do Brasil.  Descobrir os encantos de um Centro Histórico que surpreende a cada esquina, totalmente repaginado, a abrigar em seus casarões seculares, ruas, becos e ladeiras, o começo do Brasil e a herança deixada pelos antigos escravos africanos. Contemplar a forte influência dos portugueses, que hoje se perpetua no jeito baiano de ser.

Por isso mesmo tire um dia de suas férias e em vez da praia, shoppings, aproveite esse sol morno do outono e faça uma tour cultural pelas ruas do Centro Histórico e do Centro Antigo, começando pela Praça castro Alves, subindo a Rua Chile e depois, ao passar pela Rua da Misericórdia e Praça da Sé, entre em um mundo diferente, cercado por casarios históricos, ruas calçadas em paralelepípedo e gente de todas as culturas, cor e costumes, que é o Centro Histórico de Salvador.

O começo de tudo – Primeira capital do Brasil, Salvador, que completou 470 anos de fundada (29 de março de 1549), se renova sem abrir mão do passado, reforçando a vocação turística. Roteiros interessantes, que unem o tradicional e o moderno, podem ser experimentados no Centro Histórico, em sintonia com as obras de requalificação que o Governo da Bahia tem feito na área (o projeto Pelas Ruas do Centro Antigo de Salvador), como parte das ações de revitalização.

Nessa área, que abriga monumentos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), novos investimentos valorizam ainda mais o legado arquitetônico, que recua até o Brasil Colônia. Empreendimentos modernos misturam-se a edificações centenárias e vias e calçadas são reestruturadas em nome do conforto e da acessibilidade.

Hotéis – Quem visita hoje o Centro Histórico pelo seu principal portão, a Praça Castro Alves, vislumbra de imediato uma dessas novidades de estética retrô. Na lateral direita ergue-se a fachada imponente do Hotel Fasano, inaugurado no final de 2018 no antigo prédio do jornal A Tarde.

O projeto do arquiteto Isay Weinfeld mantém o estilo art déco original do imóvel, tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), mas traz conceito contemporâneo. O hotel, obra importante no processo de revitalização do centro, abriga ainda o restaurante Fasano e terraço com bela vista para a Baía de Todos-os-Santos.

Na entrada da Rua Chile, outro empreendimento hoteleiro construído em imóvel histórico virou referência internacional, desde a inauguração, em 2017. Com projeto do arquiteto dinamarquês Adam Kurdahl e também em art déco, o Fera Palace preserva a fachada e o charme original do Palace Hotel, que marcou a região em meados do século 20. A arquitetura triangular foi herdada do nova-iorquino Flatiron Building.

Na cobertura fica o Fera Lounge, com vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos e ao lado da famosa piscina de borda infinita. O hotel tem sido citado em veículos de mídia estrangeiros que indicam Salvador como destino imperdível.

Primeira rua do Brasil – A Rua Chile, fundada em 1594 por Tomé de Souza, por si só é um atrativo turístico único. Na primeira metade do século 20, destacou-se como importante centro de compras e lazer, abrigando estabelecimentos comerciais que marcaram época.

Com a requalificação feita pelo Governo do Estado, a via ganha pavimentação em paralelepípedos e novas calçadas. As fachadas dos prédios históricos que a margeiam também estão sendo valorizadas com o rebaixamento da fiação aérea para vala subterrânea.

Museus – Se o moderno deixa sua marca aqui e ali no Centro Histórico, o passado está bem preservado no casario, nas igrejas e nos museus. A próxima parada do roteiro é a Praça Tomé de Souza, onde está o Elevador Lacerda e o imponente Palácio Rio Branco, que abriga o Memorial dos Governadores da Bahia. Construído em 1549, o prédio sofreu várias reformas, sobreviveu a bombardeio e hoje impressiona pelo tamanho e a beleza, ostentando um estilo mais eclético.

Em seu interior pode-se contemplar exemplares de tapetes, obras de arte, símbolos e estátuas da República. A Sala dos Espelhos, em estilo rococó, e a Sala Pompeana, com afrescos dos séculos 19 e 20, além de aposentos utilizados no passado pelas famílias reais, aguardam o visitante no andar superior.

Outros museus importantes espalham-se pelo Centro Histórico: Tempostal (postais, fotografias e estampas históricos), Abelardo Rodrigues (peças de arte sacra), Udo Knoff (azulejaria e cerâmica), Eugênio Teixeira Leal (moedas e medalhas), da Misericórdia (móveis, pinturas, azulejos portugueses, etc) e da Cidade (acervo diversificado).

De fundação mais recente, o Museu Nacional de Cultura Afro-Brasileira – Muncab, no prédio neoclássico do antigo Tesouro, próximo à Igreja da Ajuda, virou centro de referência da herança cultural africana. Seu criador e coordenador é o poeta José Carlos Capinam.

Igrejas – À medida que se segue em direção ao Terreiro de Jesus e ao Pelourinho, a arquitetura vai ficando mais colonial e barroca. Tem início aí o circuito das catedrais, com alguns dos templos mais antigos e importantes de Salvador – muitos restaurados recentemente com apoio do Governo do Estado.

Na Praça do Terreiro, à esquerda, destaca-se o estilo maneirista da Catedral Basílica, inaugurada em 1657 e reformada recentemente. Do outro lado, no Largo do Cruzeiro de São Francisco, a Igreja de São Francisco é uma das paradas obrigatórias dos turistas em Salvador, com sua fachada barroca e o interior folheado a ouro.

Mais abaixo, já descendo o Largo do Pelourinho, a também reformada Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos chama a atenção pela fachada em estilo rococó e as torres com terminação em bulbo.

De estilo semelhante, e já no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão, outra que passou por reforma recente, ostenta um conjunto de arcadas na parte posterior.

No Alto do Carmo, a Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, construída em 1736, ficou famosa pela cena do filme “O Pagador de Promessa”, de 1962, na qual o protagonista Zé do Burro (o ator Leonardo Villar) sobe a longa escadaria que liga a Ladeira do Carmo à Rua do Passo. Por conta deste destaque, além dos méritos arquitetônicos e o estilo barroco, costuma atrair muitos turistas.

O passeio cultural pelo Centro Histórico pode terminar na Igreja da Ajuda, já de volta à região da Rua Chile e também aos primórdios de Salvador. Primeira igreja dos jesuítas no Brasil, construída pelo padre Manuel da Nóbrega em 1549, foi cenário de pregações deste e dos padres Anchieta e Antônio Vieira. O templo passou por várias reconstruções, a última delas com projeto do arquiteto italiano Julio Conti, em estilo neogótico manuelino.

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