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Ilê Ayê: das ladeiras do Curuzu para o mundo

Publicado em: 31/03/2023
Por: Adilson Fonsêca
Atenção: Caso qualquer das fotos que ilustram essa matéria seja de sua autoria nos informe via WhatsApp (71) 9.9982-6764 para que possamos inserir o crédito ou retirar imediatamente.

Se você pensa em passar o próximo  Carnaval aqui em Salvador não deixe de ler este texto e conhecer um pouco do melhor desta festa. De um bloco que fez história e conta esta história ao som dos atabaques, voltando centenas de anos na história, no  tempo da escravidão.

Quem conhece o carnaval de Salvador está acostumado com as batidas dos tambores blocos afros, que ecoam pelas paredes dos casarões colônias, ruas e becos do Centro Histórico. Contudo, mais além, no bairro negro do Curuzu, região da Liberdade, essa batida tem raízes históricas, sociais e culturais na famosa Senzala do Barro Preto, onde fica a sede do bloco Ilê Ayê, conhecido também como o “Mais belo dos Belos”. 

Não apenas nas batidas percussiva do bloco, mas também pela coreografia e da beleza da negritude étnica, musical e cultural fazem do Ilê um dos mais famosos e carismáticos blocos afros do carnaval de Salvador. O carnaval de Salvador é famoso pelo Axé Music, por paisagens belíssimas e seu povo acolhedor. Sem dúvida alguma, o ritmo do Axé marcou e continua movimentando muitas histórias desta grande festa. 

Em 1974, em pleno regime militar, na Liberdade, em uma ladeira das inúmeras que permeiam essa região da cidade, nascia um bloco afro, que cresceu resistindo a ataques e perseguições típicas da época, formando uma ideologia consistente para educar com sua música. O Ilê Ayê, surgido em uma ladeira do bairro do Curuzu, região da Liberdade, continua mais atual do que nunca, nos seus 45 anos de carnaval. Criou sua própria banda, tendo como idealizador e produtor, Antônio Carlos dos Santos, o Vovô, ao lado de Apolônio Lima. E continuou com seu projeto sociocultural, tendo como objetivo preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira. Hoje o Ilê é um Patrimônio da Cultura Baiana.

O que é – Em dialeto Afro, Ilê Aiyê significa “A casa de todos”. Essa “casa” tem atualmente cerca de três mil associados, que se preparam religiosamente para desfilar do Curuzu ao Campo Grande, ao som dos surdos, repiques e toda ancestralidade presente nas memórias enraizadas de um povo fiel à sua cultura. 

Diferente de alguns blocos, o Ilê não se limita a canções de militância tocadas apenas durante o período carnavalesco. Trata-se de um projeto amplo que defende questões éticas, de educação e transformação social, oferecendo ensino da arte, ensino fundamental e médio a jovens do bairro. Há 45 anos consecutivos, o bloco faz o Festival de Música Negra do Ilê Aiyê, abrindo a seleção para compositores de todo o Brasil a mostrarem seus trabalhos. São divididos em duas categorias: Poesia e Tema. Este ano o tema é “Que Bloco é Esse? Eu quero saber”. 

Beleza Negra – Dias antes do carnaval, acontece o maior concurso de beleza e exaltação da mulher negra no Brasil. Cada mulher com seu turbante se veste com os mais lindos tecidos, ressaltando as cores do Ilê: preto, para representar o tom da pele, amarelo, a riqueza do país, o vermelho, sangue, as lutas travadas pela liberdade, e o branco prosperando a paz.

Um verdadeiro espetáculo regado a energia e emoção. Ser eleita uma Deusa do Ébano vai além de ser considerada a mais bela das belas. Compreende o reconhecimento da mulher negra e o papel de responsabilidade que vai exercer na cidade. É a luta contra o racismo, invisibilidade, machismo, valorização das próprias raízes e religiosidade da matriz africana, por tudo que esses transtornos podem plantar em cada psicológico afetado. 

 

 

 

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