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No Dois de Julho, a cultura e a Independência da Bahia

Publicado em: 28/06/2018
Por: Adilson Fonsêca


Nas comemorações festivas, em boa parte do estado e principalmente em Salvador, o calendário turístico continua no mesmo ritmo de atrações e diversificações. Sai o São João, com o até o próximo ano de São Pedro, encerrando os festejos juninos que ocorreram em todo o Estado, e as atenções se voltam para o Recôncavo Baiano, na cidade de Cachoeira,nas margens do Rio Paraguaçu, e Salvador, ponto alto dos festejos do Dois de julho, a festa da Independência da Bahia, ocorrida em 1823.

Como na Bahia e Salvador em particular, tudo é ineditismo, o cortejo do Dois de Julho, muito mais que uma festa cívica, única no País, é uma festa da diversidade cultural. Da periferia, no bairro de Pirajá, onde é aceso o fogo simbólico e onde está o túmulo do general Labatut, que comandou as tropas brasileiras e baianas na luta contra os portugueses, consolidando o processo de independência no Brasil, ocorrida um ano antes, à Lapinha, onde tudo acontece. Desfile cívico, político e multicultural, com milhares de pessoas ocupando as ruas.

Fanfarras e filarmônicas compõem esse caldeirão cultural só existente nessa parte do Brasil, em Salvador. É uma mistura de carnaval, samba-enredo, civismo e, claro, muita política, com partidos e agremiações disputando as atenções do povo em uma caminhada que vai do Largo da Lapinha até o Pelourinho, percorrendo as principais ruas do centro Histórico e relembrando os caminhos percorridos pelas tropas brasileiras e baianas na festa da libertação do julgo português em 1823.

Cultura e tradição – Para quem quer apreciar o que há de mais tradicional nas manifestações culturais que ocorrem no Dois de Julho, acontece um Encontro de Filarmônicas no 2 de Julho, com apresentações em frente ao Monumento ao Dois de Julho, no Campo Grande e este ano com a participação especial de artistas locais,m como o cantor Gerônimo.

O Encontro de Filarmônicas é realizado há 27 anos sem interrupção e se tornou o principal meio de expressão das Bandas Filarmônicas diante do grande público na Bahia e a oportunidade de se apresentarem na capital, em uma data significativa para a nossa cultura, em um palco de grandes dimensões, com sonorização, iluminação e cobertura de todos os meios de comunicação. Este ano, duas corporações – de Cachoeira e Jacobina – vêm comemorar no Encontro 140 anos de atividades musicais.

As Filarmônicas baianas – são 285 em todo o estado – são o principal meio de inclusão social e profissional através da música, um quadro que se reproduz em todo o Brasil. Aqui na Bahia as filarmônicas abrigam cerca de 15 mil crianças e adolescentes recebendo aulas de música e aprendendo a conviver e ter responsabilidade dentro de um conjunto. Essas instituições estão há mais de 12 anos sem um programa governamental de apoio, sobrevivendo de suas apresentações e de suportes locais que cada uma vai conseguindo, como um corpo regular de sócios contribuintes.

As principais filarmônicas na Bahia

Filarmônica Ambiental – Apenas um ano após o maestro Fred Dantas dar início ao admirável projeto da Escola Ambiental, em Barra do Pojuca, Camaçari, Bahia, ele mesmo criou e preparou as crianças da área em leitura musical e instrumentos musicais de sopro, iniciando a Filarmônica Ambiental. A Filarmônica ambiental já participou do PercPan, da gravação da Missa Ambiental, do CD Todo Canto, da CESE e em diversos programas de TV. Em seu repertório, além dos dobrados próprios das bandas de música, estão arranjos da rica tradição popular do Litoral Norte, como o Reisado do Guará, Samba de viola e o Zé de Vale.

Sociedade Filarmônica 19 de Março – Fundada em 19 de março de 1943 em Acupe, distrito de Santo Amaro da Purificação, a filarmônica 19 de Março vem se mantendo independente, com estatutos próprios, educando musicalmente jovens e crianças de uma pequena comunidade cujos habitantes são em maioria pescadores, local de rica cultura popular onde se destaca o Nêgo Fugido, uma representação teatral de rua, simbolizando episódios de resistência à escravidão. Em contraste com esse ambiente de riqueza popular, a filarmônica mantém um acervo de partituras musicais manuscritas de importância clássica, e mantém seus jovens aprendizes no tradicional sistema de leitura musical e execução de instrumentos profissionais.

Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana – Fundada em 1878, a Minerva de Cachoeira comemorou com grandes festas os seus 140 anos de atividades ininterruptas em sua heroica Cachoeira, e estende essa comemoração ao nosso 27º Encontro de Filarmônicas no 2 de Julho. Sua escola de música não para de produzir novos músicos, que vão integrar o seu corpo musical, para depois se empregarem em bandas militares, grupos populares e escolas de música. Seu currículo inclui a participação em cerimônias tradicionais da sua cidade, como o Cortejo da Independência na Bahia, Festa da Boa Morte e de N. Sra da Ajuda, além das Flica-Feira Literária de Cachoeira. A Minerva apresentou-se ao lado de Dorival Caymmi, em 1973 sob regência do Maestro Carlos Veiga. Gravou um Cd próprio,pela Casa das Filarmônicas, em 2003. Apresentou-se no Teatro Castro Alves, em Salvador.

Filarmônica 2 de Janeiro de Jacobina
– Fundada em 1878, a Filarmônica 2 de Janeiro de Jacobina vem comemorar seus 140 anos de existência, com atividades ininterruptas. Ela faz parte da rica história cultural da cidade de Jacobina, responsável por animar os antigos micaretas, carnavais da região e os grandes bailes que existiam na cidade. Jacobina fica a 330 quilômetros de Salvador e é também conhecida como Cidade do Ouro, uma herança das minas de ouro que atraíram os bandeirantes paulistas no início do século XVII. Hoje a Filarmônica 2 de Janeiro, atende centenas de pessoas, oferecendo oportunidades das crianças e jovens de Jacobina ter acesso a linguagem musical e uma futura profissão, pelo que recebe apoio financeiro da Prefeitura Municipal de Jacobina, num exemplo que bem poderia ser imitado por outros municípios.

Oficina de Frevos e Dobrados
– Fundada por Fred Dantas em 1982, para receber em Salvador o seu mestre de bandas João Sacramento Neto, a Oficina ao longo de 34 anos de atividades sem interrupção tem ajudado no crescimento de diversas turmas de músicos. As pesquisas realizadas e a execução de músicas revelaram para a modernidade diversos mestres compositores. Gravou Cds, participou e promoveu festivais, realizou edições de partituras e livros didáticos e históricos. Seu Cd Oficina 15 anos – reproduzido em várias mídias sociais – é considerado um dos melhores registros fonográficos já realizados nesta área de pesquisa.

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