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Onde comer a melhor moqueca na Bahia… Siga este roteiro

Publicado em: 22/01/2020
Por: Adilson Fonseca


Difícil é estar em Salvador, em qualquer época do ano, mas principalmente durante o verão, e não se render aos encantos, charme e principalmente aroma e sabor de uma moqueca, de camarão, peixe ou de frutos do mar. O cheiro do azeite, temperado com leite de coco, coentro e acompanhado da famosa pimenta malagueta, deixa baianos e, principalmente, turistas, reféns do Deus da Gula, ante os pratos maravilhosos, deixados como herança pelos antigos africanos, portugueses e indígenas que habitavam o Recôncavo Baiano.

A moqueca é provavelmente um dos pratos que melhor representa a gastronomia baiana. A receita que leva peixe cortado em postas, tomates, cebolas, pimentões, coco seco, coentro, cebolinha, azeite de dendê, sal e pimenta é, ao lado do acarajé, praticamente um ponto turístico de Salvador. O peixe pode vir isolado, ou acompanhado de camarão fresco, ou frutos do mar, como mariscos, ostras, polvo. É única no Brasil, apesar de ser copiada em outros estados como Espírito Santo, Pará, Amazonas, Ceará e Pernambuco, mas sem os caracteres do baiano, por causa da adição do azeite de dendê e do leite do coco.


A história – A moqueca baiana é resultado da influência das três culturas que formaram esta terra: a portuguesa, a africana e a indígena. O livro “Cozinhando Histórias – receitas, histórias e mitos de pratos afro-brasileiros” conta que na língua tupi, “moquém” significa: secar ou tostar a carne. Na técnica tradicional dos índios, o costume era assar a carne ou cozinhar em seu próprio suco, envolta em folhas sobre ou sob a brasa. Como os índios não usavam sal, eles temperavam carnes e peixes com ervas, pimenta, e cinzas das brasas.
Do costume africano, vieram as adições do leite de coco e o azeite de dendê e assim surgiu a moqueca feita em panela de barro, que, graças ao calor concentrado, termina de cozinhar lentamente, já na mesa. Já os portugueses tinham a tradição de comer o peixe em forma de ensopado, que em Salvador se mantém até hoje, sem a adição do azeite de dendê. Os costumes portugueses foram modificados pelo acréscimo pelos ingredientes da culinária africana e a técnica indígena de cozimento em panela de barro. Outra mistura que deu certo é o preparo do pirão, feito com farinha de mandioca, aproveitando o próprio caldo da moqueca.


A rota da moqueca

Casa de Tereza
– No badalado bairro do Rio Vermelho. O restaurante é conhecido e premiado dentro e fora do Brasil, com a técnica da chef Tereza Paim que conseguiu atualizar e promover a culinária local. Inovou, mas com absoluto respeito às origens.
Dentre as várias opções, experimente a moqueca “Trilogia do mar”, feita com lagosta ou polvo, camarão e peixe e tem como acompanhamento arroz de coco e farofa. O Restaurante Casa de Tereza foi o grande vencedor do Prêmio Melhores do Ano Prazeres da Mesa 2019 na categoria Restaurante do Ano – Nordeste.

Restaurante Donana – O local é o mesmo simples e aconchegante. O carro-chefe é a moqueca de camarão que vem com alguns acompanhamentos, dentre os quais o pirão ou o vatapá. As filas são frequentes nos fins de semana. A dica é começar a refeição ainda na calçada, com espetinhos de camarão empanados com tapioca e uma cervejinha que está sempre gelada.

Restaurantes da Pedra Furada – Estes restaurantes são perfeitos por unirem boa comida e um ótimo passeio: têm opções de moquecas maravilhosas, uma vista deslumbrante para a Baía de Todos os Santo e ficam pertinho da Igreja do Bonfim. Esta é praticamente uma rota à parte das melhores moquecas da cidade, uma do ladinho da outra.
No Pietro’s Bar, por exemplo, tem um pátio com árvores, deixando tudo mais gostoso. O cardápio é cheio de baianidades gastronômicas. Tente chegar cedo para garantir uma mesa de frente para o mar.
O Recanto da Lua Cheia é um dos restaurantes mais lembrados quando o assunto é moqueca. Os pratos são para duas pessoas, e a moqueca mista de camarão e polvo acompanha arroz e pirão.
O Recanto da Tia Maria é bem simples e acolhedor e quem te recepciona é a própria Tia Maria. Ela e sua filha estão à frente do restaurante há anos. Os recortes de jornais e títulos na parede dão a pista de que ali a moqueca é famosa. A moqueca de polvo com camarão vem acompanhada de arroz, pirão, farofa de manteiga e pimenta.



Boca de Galinha
– Fica do outro lado da cidade, no Subúrbio Ferroviário de Plataforma. Uma dica é seguir pela Avenida Suburbana até o bairro, ou então ir até a Ribeira e de lá pegar uma lancha (sai de meia em meia hora) e fazer a travessia de cinco minuto9s da Enseada dos Tainheiros). O local tem uma clientela diversa, sendo frequentado tanto pelo pessoal “da terra”, quanto por pessoas de outros bairros, cidades e até de outros países. O restaurante já tem 30 anos servindo uma comida deliciosa, de frente para a Baía de Todos os Santos. O cardápio é chamado “cadernato” e não é fixo, todos os dias eles fazem um novo, à mão – assim eles garantem comida fresca sempre. O carro chefe são as moquecas, podendo ter oito tipos por dia como Mariscada, Camarão com lagosta, Camarão, Beijupirá, Dourado, Vermelho, Caçonete e Arraia. Os acompanhamentos são arroz, feijão e pirão.

Dona Mariquita
–  No Rio Vermelho. É uma imersão gastronômica na cozinha patrimonial do estado da Bahia. Mesmo descrevendo todos os sentimentos que o restaurante da Dona Mariquita resgata do universo da cultura baiana, ainda assim, você vai chegar lá e descobrir muitos outros. E se ousar descrever as receitas, seria necessário, além dos ingredientes originais como os mariscos do recôncavo da Bahia, sementes e folhas, mesclando as influências indígenas, africana e sertaneja, acrescentar uma pitada de carinho, outra de sorrisos e uma boa colher de apreço.
Lá, a moqueca de camarão recebe o incremento de maturi, a castanha-de-caju verde, e é guarnecida com arroz, pirão e efó. No Dona Mariquita, os pratos são feitos como foram criados originalmente, num resgate de receitas tradicionais para a preservação do patrimônio cultural. Nossa dica é provar a Caipiroska de tamarindo e pedir a Poqueca – uma moqueca assada na folha de banana com acaçá de leite.



Porto do Moreira
– No Coração antigo de Salvador, no Largo Dois de Julho. Pequeno mas acolhedor, o restaurante mantém a tradição de mais de 80 anos. As receitas do fundador José Moreira da Silva se misturam a clássicos da “confraria do dendê”. Uma das grandes estrelas é a moqueca de carne que leva camarão, ovo, pimentão e muito dendê. Para acompanhar, arroz, pirão e farofa d’água.
Ki Mukeka – Tradicional restaurante da cidade, Ki Mukeka tem uma das moquecas mais disputadas. Com quase 40 anos de existência (desde 1980), o restaurante é destino certo de muitos turistas. Verdadeiros especialistas na tradicional gastronomia baiana, lá a diversidade impera e tudo que é do mar pode ser servido como moqueca: peixe (Badejo, Pescada Amarela), arraia, ostra, siri, polvo, camarão, lagosta, sururu e até bacalhau.

Dentro da comunidade do Solar do Unhão e a Gamboa – Ali colado ao Museu de Arte Moderna da Bahia, o MAM, tem dois restaurantes de comida baiana que valem a visita. Um dentro da comunidade do Solar do Unhão e outro dentro da Gamboa. Os dois tem uma ótima moqueca, além de estarem em um local com vista privilegiada para a Baía de Todos os Santo.
Na Comunidade Solar do Unhão, você vai conhecer a Dona Suzana. Seu restaurante é praticamente a continuação de sua própria casa, com mesas no quintal. A moqueca é sempre servida com o peixe do dia. Não tem cardápio. Você deve marcar antes de ir pelo telefone 71 3328-2056.
Já o Bar da Mônica, na Gamboa de Baixo, a dica é ir de barco – dá para ir andando por dentro da comunidade. A entrada também é pelo MAM, de onde se segue para a praia de pedras onde há uma escolinha de SUP. O restaurante é simples, fica em um píer e tem uma escadinha que dá no mar.. Experimente a moqueca de lagosta com camarão e peixe.


No Pelourinho – O restaurante Odoyá, localizado no Largo de São Francisco, é parada obrigatória para quem passeia pelo Centro Histórico. A moqueca individual pode, tranquilamente, servir duas pessoas. Tem um amplo e agradável ambiente, no qual os clientes têm visão interna para a cozinha e podem ver os chefs elaborando os pratos que serão servidos.
Outra opção no Pelourinho é o restaurante Sorriso da Dadá, comandado por Dadá, uma das cozinheiras mais famosas quando o assunto é comida baiana. A moqueca de peixe dourado é uma das mais pedidas do restaurante, guarnecida com arroz, farofa e pirão.


Restaurante Yemanjá – É quase que um hour-concour da culinária baiana. É um dos mais tradicionais restaurantes de Salvador, e fica localizado em Armação. Tem diversos tipos de moquecas como camarão, peixe, siri mole, siri catado, ostra, lagosta ou polvo. Com uma estrutura de mais de mil metros quadrados de área construída, 3 ambientes, 3 salões climatizados e vagas para 150 carros, é perfeito para receber excursões ou grandes grupos.

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