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Uma caminhada de fé e muita alegria na Lavagem do Bonfim

Publicado em: 05/01/2019
Por: Adilson Fonsêca


Todo início de ano, na segunda ou terceira quinta-feira de janeiro, (este ano, a terceira, dia 18) Salvador se transforma, veste branco em um dia especial para baianos e quem está visitando a capital da Bahia: é o dia da Lavagem do Bonfim, quando todos os caminhos levam à Colina Sagrada, onde fica a Basílica de Nosso Senhor do Bonfim, no bairro do mesmo nome, na Península de Itapagipe, na Cidade Baixa.

A caminhada de fé, de pouco mais de outo quilômetros, tem como ponto de partida o Elevador Lacerda e a Igreja da Conceição da Praia, e segue por toda a Cidade Baixa até a Basílica do Bonfim, onde ocorrer a lavagem propriamente dita. É uma caminhada sincrética, pois abraça todas as religiões e mostra uma característica nitidamente baiana, que é o sincretismo religioso, e uma mistura do profano, que mescla samba, Apesar da Carnaval e várias manifestações culturais, com a fé de várias religiões.

A Lavagem do Bonfim atrai devotos e turistas do mundo inteiro. A procissão de oito quilômetros sintetiza o espírito baiano de homenagear os santos católicos e orixás do candomblé. Durante a caminhada, o sincretismo religioso se torna explícito no abraço de católicos, mães e filhas de santo que manifestam a fé no Senhor do Bonfim, para os Católicos, e Oxalá, o senhor do branco, pai da luz e absoluto do universo, nas religiões de matrizes africanas.

A Lavagem do Bonfim é a segunda maior manifestação popular da Bahia, só perdendo para o carnaval de Salvador. O próprio ato da lavagem, feita por baianas, é uma herança da ancestralidade africana no período do Brasil Colonial, quando imperava a escravidão de negros trazidos da África, que se mistura com a herança religiosa católica trazida pelos portugueses. Isso porque, enquanto baianas lavam com água perfumada o adro da igreja, e ali fazem as bênçãos com folhas sagradas do candomblé e de umbanda, é realizada, ao mesmo tempo, missas campais. Enquanto padres e auxiliares se revezam nas bençãos com água benta, numa cerimônia nitidamente católica.

Vá preparado – Apesar de ser a festa religiosa mais popular da Bahia, a Lavagem do Bonfim não é a festa do padroeiro do Estado. O padroeiro, na verdade, a padroeira, é Nossa Senhora da Conceição, cuja festa ocorre em 08 de dezembro. Mas o Bonfim é o festejo que reúne o maior número da diversidade religiosa no Estado, e mais popular. Não há como ir ao cortejo da Lavagem do Bonfim se não for a pé.

Por isso mesmo vá preparado para a caminhada, cujo lema é “ quem tem fé vai a pé!”. São oito quilômetros, mas não de uma caminhada em si, mas de uma caminhada com ritmo de samba, de axé, de pagode, de manifestação política, e de religiosidade. Com isso ao longo, que poderia ser feito com pouco mais de uma hora, demora, duas, três ou mais horas, e muitos acabam, ficando pelo meio do caminho, nas rodas de samba, festas em espaços privês ou improvisadas ao longo das calçadas, ruas e praças.

Para quem consegue fazer todo o percurso, ao final da caminhada, entre as igrejas de Nossa Senhora da Conceição da Praia e do Senhor do Bonfim, as baianas proporcionam aos participantes de diversos credos, o banho com a água de cheiro, uma espécie de benção religiosa do sincretismo afro, despejado sobre as cabeças dos fiéis, em um ritual de fé e esperança realizado há 274 anos, desde a chegada da imagem do Senhor do Bonfim de Portugal. Aos rituais religiosos, somam-se os festejos profanos com música, bebidas e comidas típicas da cozinha baiana.

História – Tudo começou com Rodrigues de Farias, oficial da Armada Portuguesa, que trouxe de Lisboa uma imagem do Cristo, que, em 1745, foi conduzida com grande acompanhamento para a igreja da Penha, no atual bairro da Ribeira, em Itapagipe. Em julho de 1754, a imagem foi transferida em procissão para a sua própria igreja, na Colina Sagrada, onde a atribuição de poderes milagrosos tornou o Senhor do Bonfim objeto de devoção popular e centro de peregrinação mística e sincrética.

A lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim é considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, depois do Carnaval. A Igreja do Bonfim, de 1754, é o principal símbolo do sincretismo religioso da Bahia. A lavagem só teve início em 1773, quando os escravizados foram obrigados a lavar a Igreja para a festa do Senhor do Bonfim que era realizada desde 1745 na igreja da Penha. Os adeptos do candomblé adotaram a lavagem como parte da cerimônia das Águas de Oxalá.

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