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A alquimia e “segredo” no preparo de drinks que só há em Salvador

Publicado em: 02/03/2021
Por: Adilson Fonseca


Salvador não é apenas azeite de dendê, leite de coco e pimenta, comuns nos pratos da chamada “Comida Baiana” e presentes nos acarajés e abarás. Numa mistura de sabores, que vão além da cerveja, comum a todos os brasileiros, o baiano, seja no verão ou inverno, inova no preparo de drinks, alguns apenas de modismo de época, mas outros que se perpetuam e acabam virando parte do cardápio tradicional de quem visita ou curte a cidade em várias épocas do ano.
Aproveitando as bebidas destiladas ou fermentadas, costuma-se lançar vários drinks, reinventados a partir de receitas antigas, acrescidas de uma pitada de inovação, que caem no gosto do cliente e acabam virando moda. Foi assim com o “capeta”, uma bebida que mistura chocolate, leite condensado, guaraná em pó, vodka ou rum e frutas da época, a caipirinha, feita com limão e cachaça. Sua assemelhada, feita com rum ou vodka, e que ganha o acréscimo da “issima” ou “roska”.


A caipirosca aqui passa a ser íntima, e é chamada apenas de “roska”, podendo ser a tradicional de limão, ou com frutas, muitas delas exóticas, como o umbu “umburoska”, siriguela (sirigoska”, cajá “cajaroska”, morango, tangerina, laranja, caju, kiwi, jambo, etc.
Por aqui, quem parece não sair de moda é a caipiroska, mais conhecida como roska. A cada barraca, bar ou restaurante de Salvador, tem um “mixologista” mais criativo que o outro, inventando uma roska melhor que a outra. Os visitantes ficam loucos com as roskas de seriguela, de umbu e de cajá. Contudo,  à parte do modismo, existem aquelas bebidas peculiares de Salvador que sempre estão na moda. O tempo passa e elas permanecem presentes em festas, shows e na memória de visitantes que contam os dias para voltar à cidade para novamente tomar as infusões soteropolitanas.


O cravinho – O seu “habitat” é o Pelourinho. O que seria apenas uma bebida comum nas Terças da Benção e das festas promovidas pelo Olodum, virou moda e hoje faz parte de qualquer roteiro turístico no Centro Histórico de Salvador. Marca registrada das festas de largo, o cravo e a canela trazem um gosto e aroma bastante encorpados, um gosto e aroma bastante encorpados que mascaram a presença do álcool, o que é um perigo.
São três lugares icônicos que produzem o cravinho sendo que o mais famosos é o bar com o próprio nome da bebida, que fica no Largo Terreiro de Jesus. O bar ao estilo taberna é uma das sensações do Centro Histórico, e, além da bebida, ainda serve uma famosa moela e a moqueca de ovo, onde não falta o famoso “molho lambão”, com pimenta e coentro. Criado no início dos anos 80, O Cravinho possui quatro ambientes internos, sendo um deles uma lojinha com vários itens interessantes para os turistas.
A bebida “cravinho” é feita em infusão da cachaça com o cravo, mel e limão). Mas há também a “canela” e o Jatobá, com os mesmos ingredientes. Descendo a rua João de Deus, no número 18, tem uma parada obrigatória dos amantes da infusão. O Cravinho do Carlinhos, além de excelentes opções, ainda tem um ótimo menu de “petiscos de boteco”.


Por fim, tem o Cravinho Preto Velho, que é considerado de “raiz”. Fica em frente à sede dos Filhos de Gandhy, na rua Rua Maciel de Baixo, 38. O bar foi Criado nos anos 70 por Domingos Lemos, mais conhecido como Domingos Preto Velho (1922 – 2013), e provavelmente foi o primeiro cravinho de Salvador. O Cravinho Preto Velho já teve frequentadores famosos como Gilberto Gil, João Durval Carvalho e Pierre Verger.
Batida de Gengibre Artesanal – Nos últimos anos não há uma festa popular em Salvador sem o tal de gengibrinho. Se o Pelourinho é sinônimo do cravinho, o Santo Antônio Além do Carmo é a “casa” da bebida de gengibre. São bares, restaurantes e festas regados a esta raiz. Como é o caso do restaurante Zanzibar, especializado em comida africana. Serve uma versão ancestral da bebida em um copinho de barro. Vale a experiência completa.
Quem está bombando é a marca Néctar, que surgiu no final de 2016, ficando logo conhecida na Festa de Iemanjá, no dia 02 de fevereiro. Ricardo de Freitas Correia, dono da marca, conta que o lugar que mais vende é o Oliveiras Bar, no Santo Antônio Além do Carmo. Por lá, também está presente nos Restaurantes Poró e no D’Venetta. No bairro do Rio Vermelho, está no Le Bowski Pub e na Commons Stúdio Bar. Na Barra, está no Boteco do Zuca, próximo ao Farol da Barra, e no Campo Grande, está no bar Quintal. A bebida é uma uma mistura da raiz do gengibre in natura, cachaça de engenho de Sergipe, temperada com limão e com a calda de açúcar bruto, que fica parecendo uma calda de cana, que é o que tira a acidez. Não há uso industrializado, pois todo o processo é artesanal.


Licor das Freiras – Quem imagina que convento e freiras são apenas sinônimos de recolhimento e orações, vai se surpreender ao adentra no Convento do Desterro localizado próximo ao Centro Histórico, entre o bairro de Nazaré e a Baixa dos Sapateiros.
Se para quem durante os festejos juninos à Bahia licores famosos são os licores de Cachoeira, no Recôncavo, e os de Amargosa, no interior, vai ter uma grata surpresa a constatar que em Salvador, esses licores, além de tradicionais, ganham um requintado preparo que lhes dão finess inigualáveis.
As Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus, que ficam enclausuradas a maior parte do ano no Convento de Santa Clara do Desterro, no centro da cidade, é o mais antigo monastério do país, fundado no sec. XVII. Como se não bastasse a importância histórica, as freiras transformaram o local em um dos principais pontos de produção de licor da cidade. Lá são produzidos 23 sabores do destilado com muito carinho.
A lojinha do convento atende pelo nome de Confeitaria São José, e tem sabores à venda como anis, limão, maracujá, cacau, pitanga, hortelã, erva-doce, canela, goiaba, carambola, Guãco, caju e jabuticaba. Também produzem sequilhos e doces de frutas cristalizadas, como o de jenipapo. Por falar nisso, os licores de jenipapo e o de rosas são os mais vendidos.

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