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A Bahia se rende às bênçãos de Yemanjá

Publicado em: 25/01/2019


Já se preparou para mais uma maratona de festas populares em Salvador? Se já descansou da caminhada da Lavagem do Bonfim, no último dia 17, ou se por um acaso não pôde estar em Salvador. Mas quer aproveitar algumas das principais festas populares que ocorrem, antes do carnaval, a bola da vez é o Rio Vermelho, que no dia 02 de fevereiro vai estar em festa, em homenagem à Yemanjá, a Rainha do Mar.

Desde a madrugada do dia 01 à manhã do dia 02, adeptos do candomblé, turistas e devotos formam filas imensas para colocar oferendas e pedidos nos balaios que ficam na Casa do Peso no Bairro do Rio Vermelho, a Casa de Iemanjá. Toda a orla é tomada por gente, vendedores de comida baiana e muita música. No final do dia, um cortejo de barcos leva os balaios cheios de flores para alto mar.

A data não é feriado em Salvador, mas nem precisa, pois o baiano sempre dá um jeito de participar da festa, que à cada ano aumenta de tamanho, tomando não só as ruas do bairro que é considerado o mais boêmio da cidade, mas de páreas vi9zinhas, como Ondina e Amaralina. A festa é a terceira de maior afluência de público, perdendo apenas para o Carnaval e Lavagem do Bonfim.

O dia dois de fevereiro é uma data quase que sagrada para o Rio Vermelho. Todos os caminhos do bairro parecem levar à beira da praia, onde fica a Casa do Peso, ou Casa de Yemanjá, com pessoas de diversos credos levando oferendas, em forma de flores e perfumes, considerados os presentes preferidos da orixá.

As oferendas são levadas para a casa do peso na Colônia de Pesca do Rio Vermelho onde são distribuídas em diversos balaios colocados em barcos que partem para o alto mar. No fim da tarde, ao som de um espocar de fogos de artifícios, o cortejo principal, com muitas embarcações, leva para alto-mar o presente à orixá, confeccionados pelos próprios pescadores e que só é mostrado ao público no dia da festa. Aproximadamente a 10 quilômetros da praia, o presente é lançado ao mar. Diz a lenda que se o presente retornar à praia, é porque a orixá recusou a oferenda, e então será um ano de pescarias ruins.

Festas diversas – Enquanto o presente a Yemanjá não é levado ao mar, o bairro fervilha de baianos e turistas, que formam filas para fazer suas oferendas na Casa do Peso. Na areia da praia, rituais do candomblé, banhos de folha, e rezas, ao som dos atabaques dos diversos terreiros. Nas calçadas, muito samba, capoeira, comida farta e típica e as tradicionais festas privês, dom DJs e muita feijoada.

Pelas ruas do Rio Vermelho, diversas barracas de bebidas e comidas se espalham nas calçadas. Várias casas realizam festas particulares com atrações musicais, dando um tom pop a essa festa tão tradicional que enche de branco e de fé as ruas do bairro. No passado a festa experimentou a presença de trios elétricos que atraía um número maior de pessoas. Entretanto a experiência descaracterizava a essência pacífica da manifestação. Hoje a festa é apenas com sambas de roda, capoeira, comidas típicas e muitos rituais religiosos.

CURIOSIDADES

* A tradição da festa em homenagem a Iemanjá teve início no ano de 1923, quando um grupo de 25 pescadores resolveu oferecer presentes para a mãe das águas. Nesta época os peixes estavam escassos no mar. A partir de então, todos os anos os pescadores pedem a Iemanjá que lhes dê fartura de peixes e um mar tranquilo.

* No início, a celebração era feita em conjunto com a Igreja Católica, numa demonstração do sincretismo religioso da Bahia. Na década de 1960, um padre teria ofendido os pescadores, chamando-os de ignorantes por cultuarem uma sereia. O fato provocou um rompimento com a igreja e a partir daí os pescadores passaram a realizar a festa apenas em homenagem a Iemanjá.

*Existe uma superstição sobre os presentes dados a Iemanjá que não afundam, indo parar na areia da praia. Segundo ela, Iemanjá não gostou do presente e o teria devolvido, causando grande frustração aos devotos. Em geral, presentes feitos com materiais leves ou ocos costumam não afundar. Nem mesmo o presente principal, feito pelos pescadores, está livre deste infortúnio. Algumas vezes é preciso amarrá-lo a algo pesado para que possa afundar.

*Segundo a lenda, o cavalo marinho é o guardião da casa de Iemanjá, sendo ele o seu mensageiro mais rápido. É comum que imagens deste animal sejam oferecidas pelos devotos. Em 2007, o presente principal dos pescadores foi a imagem de um cavalo marinho adornado.

* A escultura de Iemanjá localizada em frente à Casa do Peso foi confeccionada por Manoel Bonfim em 1970. Trata-se de uma escultura de uma sereia feita de gesso, assentada sobre pedestal de concreto revestido com apliques variados, conchas e pedras portuguesas. É de propriedade da Colônia de Pesca Z1.

A LENDA DE IEMANJÁ

Conta a tradição dos povos iorubás (atual Nigéria), que Iemanjá era a filha de Olokum, deus do mar. Em Ifé, tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos, todos orixás. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, Iemanjá fugiu na direção do “entardecer-da-terra”, como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá. Yemanjá usa roupas cobertas de pérola, tem filhos no mundo inteiro e está em todo lugar onde chega o mar. Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la. Iemanjá, Odô Ijá (rainha das águas), nunca mais voltou para a terra.

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