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A Bahia também tem forró e dos bons

Publicado em: 28/05/2017
Por: Adilson Fonsêca


Se você pensa que o Carnaval é a maior festa popular da Bahia precisa rever os seus conceitos e conhecer o São João.
Diferente da folia momesca que se concentra em Salvador e umas duas dezenas de municípios, o São João é comemorado em praticamente todos os 417 (em especial nos dias 23 e 24 de junho, mas por todo o mês) e haja forró no terreiro e arrasta pé para animar a turma.

O ritmo é comandado pela sanfona, uma espécie de acordeom que nas mãos habilidosas e mágicas dos sanfoneiros, “chora” e só falta falar.

A música tem na sua essência uma letra simples que arremete à vida modesta, mas feliz, do sertanejo, do homem do interior.
Algumas parecem um hino, outras foram eternizadas na voz do imortal Luis Gonzaga, Marinês, Genival Lacerda e tantos outros mestres do forró, que ajudaram a conservar viva essa tradição tipicamente nordestina.

Viver o São João na roça é se entregar a mais pura alegria. Tomar um licor ou um quentão na praça e dançar um gostoso forró podem ser o primeiro passo para um casamento de verdade.

Mas para quem só diversão, que tal aquele simbolizado no espetáculo das quadrilhas, onde a noiva capricha no tradicional vestido branco e tem até um padre, estilizado? No São João vale tudo.

As quadrilhas costumam dar mais brilho e colorido à festa e com seus ensaios na busca da perfeição, fazem o São João durar quase que todo o mês de junho.

Para quem ainda não viu uma ou tem uma breve referência só da televisão, vale ver uma de perto. Homens e mulheres de todas as idades se unem para uma salutar competição onde a dança e as coreografias são ditadas pela música e pelo grito do “marcador”, uma espécie de maestro.

A ele cabe alertar para muitas das rotinas e desafios da vida do sertanejo como o “olha a cobra”, ameaça constante e, muitas vezes, mortal para quem anda no mato.

Mas tem também a mais aguardada: “olha chuva”, bênção maior para o sertanejo, de pele causticada pelo sol e que tem nela a esperança de ver a roça vingar e a criação não morrer de sede.

Assim é o São João na Bahia, que provoca o maior êxodo urbano do ano. Quem tem raízes no interior enfrenta qualquer desafio para voltar às origens, rever parentes e dançar um bom forró.

Viaja horas, corta o Brasil, levando na mala uma rouba nova, uma camisa quadriculada, para saudar o São João. E até quem não é, vai para curtir a festa e volta sempre no ano seguinte.

A festa do Nordeste acontece em todos os 417 municípios, e até na capital, para os que não podem ou preferem não encarar a estrada e, em \Salvador, acabam premiados com grandes atrações nacionais da música sertaneja, variável do forro, e que reina absoluta nesse período.

Para quem quer um bom destino e não muito distante de Salvador, encarando no máximo 250 km de estrada, a sugestão são as cidades de Amargosa, Santo Antonio de Jesus e Cruz das Almas.

E para quem quer esticar mesmo o mês das festas juninas pode ainda aproveitar o São Pedro, (29 de junho) em cidades como Itiruçu e Piritiba, ou começar já no Santo Antonio, (13 de junho) em Canudos.

O certo é que em todo o mês de junho troca-se o axé do carnaval pelo som da sanfona e a dança do pagode, do arrocha atrás dos trios elétricos, pelo arrasta pé do xaxado e do xote. E em vez das guitarras e percussão, a sanfona, a zabumba e o triângulo ditam o ritmo.

Diferente do carnaval, onde a concentração se dá basicamente em Salvador, Porto Seguro e algumas cidades que realizam o carnaval antecipado, os festejos juninos acontecem durante todo o mês de junho. Abaixo algumas sugestões de destino para você cair no forró.

Recôncavo
Amargosa – Cidade do Recôncavo baiano, famosa pelo Forró do Bosque
Santo Antonio de Jesus – Famosa pela produção artesanal de fogos
Cruz das Almas – Famosa pela Guerra de Espadas
Cachoeira – A Feira do Porto, nas margens do Rio Paraguaçu, é o palco do São João. A cidfade é tombadsa como Patrimônio Histórico.

Sudoeste
Ibicuí – Famosa pelo São João no estilo mais sanfoneiro e do arrasta pé
Itororó – Considerada a Terra da Carne de Sol

Norte/Nordeste
Euclides da Cunha – O famoso Forró do Cumbe movimenta a região do Semiárido, reunindo torneios de vaquejadas e concurso de forrozeiros
Paulo Afonso – Entre as belezas dos cânions e trilhas do Rio São Francisco e barragens do maior parque hidrelétrico do Nordeste, o São João acontece por mais de uma semana
Juazeiro – A cidade faz divisa com Petrolina, em Pernambuco, separadas pelo Rio São Francisco. Os forrós acontecem nas margens do rio.
Oeste – Barra, São Desidério, Barreiras oferecem festejos para todos os estilos. Tanto ocorrem nas sedes como nos distritos e povoados.

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