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As relíquias do maior patrimônio dos baianos: a Igreja do Bonfim

Publicado em: 07/12/2019
Por: Adilson Fonseca


Quem vê aquele prédio erguido no alto de uma colina do bairro do Bonfim, na Cidade Baixa, em Salvador, não imagina que ali esteja muito mais que o palco de uma das principais manifestações religiosas da Bahia, a Lavagem do Bonfim, que só perde em número de participantes para o Carnaval. Ali está também a expressão da religiosidade dos baianos de diversos credos, que se unem na mesma fé, em louvor, agradecimentos e pedidos ao Senhor do Bonfim, para os Católicos, ou Oxalá, para o sincretismo religioso.

Construída entre 1746 e 1754, a réplica da Capela da Penha, em Portugal, deu origem à Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador, e o monte onde ela foi erguida passou a ser chamar de Colina Sagrada. Em 1773 a festa litúrgica do Bonfim passou a ser realizada no segundo domingo de janeiro, sendo antecedida, na quinta-feira, desde 1773, pela Lavagem, um ritual iniciado pelos antigos escravos, que hoje é feito de forma sincrética com várias religiões, em uma caminhada de oito quilômetros, entre a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia e o Bonfim.

Mas toda essa história tem por trás a religiosidade dos baianos, que expressa, na forma de amuletos e devoção, a fé em Senhor do Bonfim ou Oxalá.

Sala dos Milagres – O espaço é uma das expressões dessa religiosidade que mais chama a atenção pelo número de peças e manifestações de fé. Ela fica ao lado do presbitério, no térreo, no espaço oposto à sacristia. Ali estão expostas moldagens em cera, representando órgãos do corpo humano, em formatos variados que expressam pedidos e agradecimentos.

O espaço ficou pequeno e por isso mesmo, vez por outra, a administração da igreja retira algumas peças para que sejam colocadas outras trazidas diariamente pelos devotos. São pinturas populares, fotografias pessoais, retratos de situações miraculosas, cartas escritas muitas delas humanamente ilegíveis, radiografias, quadros de formaturas, fotos de políticos, diplomas e certificados, que fazem parte da história de vida dos devotos.

Fita sagrada – Ir ao Bonfim e não fazer o tradicional pedido, amarrando uma fitinha colorida em um dos punhos, e dar três, é quase que um sacrilégio para os católicos e os adeptos das religiões de matrizes africanas. Muitos fazem o pedido e também amarram as fitinhas nos gradis que cercam a igreja. Em tanta quantidade que periodicamente eles têm que ser retirados e depois queimados em um ritual religioso.

A Fita do Bonfim ou fitinha do Bonfim é uma lembrança típica de Salvador, criada em 1809 e que desapareceu no início da década de 1950. Era conhecida como “Medida do Bonfim”, por medir exatos 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da igreja mais famosa da Bahia.

A “medida” era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão e o acabamento feito em tinta dourada ou prateada e usada no pescoço, como um colar, no qual se penduravam medalhas e santinhos. Ao pagar uma promessa, o fiel carregava uma foto ou uma pequena escultura de cera representando a parte do corpo curada com o auxílio do santo. Não se sabe quando a transição para a atual fita, de pulso, ocorreu, sendo fato que em meados da década de 1960 a nova fita já era comercializada nas ruas de Salvador.

Museu- Foi criado em 11 de janeiro de 1975,por Rubem Freire de Carvalho, com a colaboração do seu irmão João Carlos Freire de Carvalho Lopes. A sala fica no interior do Santuário do Nosso Senhor do Bonfim, com várias fotografias, objetos, lembranças de pessoas que obtiveram algum tipo de graça alcançada, seja ela milagrosa ou não. Há também um imenso acervo deixado pelos devotos, com a maioria das peças em gesso, ouro e prata, que produzem parte do corpo humano, do qual obteve a graça desejada.

Várias telas pintadas representam os milagres ocorridos, como, o quadro de agradecimento pela sobrevivência a uma epidemia no ano de 1855, ou quadros pintados por artistas conhecidos. Só estando aqui, e observando os detalhes de cada peça, de cada ação ocorrida através das bênçãos do Senhor do Bonfim, que nós entendemos a beleza desse acervo. E do lado de fora,. Numa das laterais, há o velário, que é um local onde os fiéis acendem velas de todos os formatos para fazerem pedidos e agradecimentos.

Imagens– A Igreja do Bonfim é rica em acervo religioso, com obras de diversos artistas. Um deles, Franco Velasco, da antiga Escola Bahiana de Pintura, pintou o teto da nave principal do altar-mor. Nos diversos altares há também imagens do século XVI de São Joaquim, Senhora Santana, Nossa Senhora, Santo Afonso e São José, além os painéis de Cristo na presença de Pilatos e de Cristo no Horto das Oliveiras e os entalhes de concepção neoclássica de Francisco de Matos Roseira.

O acervo inclui ainda 34 telas que narram a Paixão de Cristo, nos altares laterais da igreja, e na sacristia estão mais cinco telas de grande valor executadas por José Teófilo de Jesus. No local podem ser vistos ainda as alfaias, objetos dos atos litúrgicos, como sacrários, crucifixos, castiçais e outros que foram incorporados à ambientação da igreja, como lustres de prata lavrada e os lustres dos altares laterais. Um deles, um sacrário de prata lavrada, foi doado por Miguel José Maria Teive e Argolo, enquanto um crucifixo e castiçais das banquetas do Santíssimo Sacramento, são de 1690, e os lustres dos altares laterais, também em prata lavrada, foram doados pelo comendador José Freire de Carvalho, em 1813.

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