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Bahia é a terra de todas as religiões e credos

Publicado em: 02/01/2021
Por: Adilson Fonsêca


Em meio ao ofertório, eucaristias e outros rituais da Igreja Católica, soa o som dos atabaques e agogôs, instrumentos que compõem as músicas herdadas pelos antigos escravos africanos que vieram à Bahia, no período colonial, e que fazem parte de vários rituais das religiões de matrizes africanas. A hóstia, uma espécie de pão de trigo fino, usada pelos católicos, convive harmoniosamente com o acarajé e o abará, comida dos orixás. E todos rezam sem se importar com a religião do outro.

Pois nisso acontece em Salvador, no mais eclético dos lugares, no coração do Centro Histórico,o Pelourinho.A mistura de ritmos e rituais parece não incomodar quem freqüenta a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no coração do Centro Histórico, no Pelourinho. Surpreende apenas os turistas que visitam Salvador pela primeira vez e não estão familiarizados com o sincretismo religioso e cultural que se manifestam em toda a cidade

A Igreja, uma das mais antigas da cidade, tem um simbolismo marcante que marca a forte identidade dos negros em Salvador, como uma herança étnico-cultural dos antigos escravos africanos do período colonial. O templo é uma construção do século XVIII, erguido ao pé da Ladeira do Pelourinho, na entrada da antiga Porta do Carmo, que marcava os antigos limites urbanos da cidade. É tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

Ganhou notoriedade nas últimas décadas o sincretismo religioso que marcam as celebrações, principalmente as que são realizadas no último domingo de outubro , dia da devoção da Virgem do Rosário e da Irmandade dos Homens Pretos, e cujos festejos se estendem por uma semana. As celebrações são feitas ao som de atabaques, perfume do incenso e oferendas bem incomuns para um templo católico.

A Irmandade dos Homens de Preto surgiu na metade do século XVIII, como uma forma de arrecadar dinheiro para pagar a alforria dos escravos. Seus integrantes se reuniam nos altares laterais das igrejas da época. A|te que em 1704 eles conseguiram dinheiro suficiente e pediram autorização à Arquidiocese de Salvador para construir uma igreja em homenagem à Virgem do Rosário. O nome se refere à existência na zona de uma das portas da cidade fortificada, por onde saía o caminho (atualmente a ladeira do Pelourinho) até o Convento do Carmo. Na zona também estava localizado o Quartel do Carmo, onde se alojavam os soldados que defendiam essa entrada da cidade.

Símbolo de tolerância – Esta é uma daquelas igrejas de Salvador que se deve visitar mesmo não sendo da religião católica. Preservando sua história ligada aos escravos, a liturgia dos cultos faz uso de música inspirada nos terreiros de Candomblé, ao som de atabaques. Nos fundos da igreja, existe um antigo cemitério de escravos.

Nesta igreja é celebrada toda terça-feira uma missa católica que incorporou alguns dos elementos da cultura africana, como as cantorias e danças. Quem desejar acompanhar a missa sentado precisa chegar ao local bem cedo, pois a igreja fica invariavelmente lotada.

Nas datas comemorativas de Santa Bárbara e Iansã, em dezembro, a igreja é o ponto central dos festejos. Por sua cor azul e por estar no final da ladeira que liga o Pelourinho às Portas do Carmo, é o retrato fiel da convivência do baiano com todas as culturas e religiões.

Serviço:
Data: missas, de segunda e domingo – às 9h. Terça, última quarta do mês, 1ª quinta do mês e sexta – às 18h. Visitação: de seg. a sáb., das 8h às 12h e das 13 às 17h.
Contato: (71) 3421-5781.

Celebrações:
Santo Antônio de Categeró (2º domingo de janeiro)
São Benedito (último domingo de abril)
Santa Bárbara (4/12)
Aniversário da Irmandade, Dia da Independência da Bahia (2/7)
Festas dos Santos Negros (Elesbão e Efigênia), e N. Sra. Senhora dos Anjos, N. Sra. do Rosário (último domingo de outubro).

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