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Uma Salvador sem os holofotes, mas cheia de beleza e atrativos

Publicado em: 29/07/2022
Por: Adilson Fonsêca


Uma das mais bonitas e encantadoras cidades do Atlântico Sul, Salvador começou o seu desenvolvimento pelo mar. Através do seu porto, tornou-se o principal entreposto comercial fora da Europa do Reinado de Portugal e 0porisso mesmo, o seu entorno se tornou movimentado, com construções importantes que recebiam visitantes de todo o mundo. Através das ladeiras e mais tarde com a ligação entre a Cidade Baixa (à beira do mar e do porto) e a Cidade Alta (onde ficavam os prédios da administração da cidade e a aristocracia) essa ligação se deu através do Elevador Lacerda (1873).

E foi nesse contexto que a parte baixa da cidade se desenvolveu, acompanhando a faixa litorânea que ia do Porto de Salvador até a Península de Itapagipe, até o bairro da Ribeira. Esse tour histórico passa pelos casarões e sobrados e primeiros edifícios da área do Comércio, o primeiro bairro de negócios organizado do país, e que teve protagonismo absoluto a década de 1960, quando Salvador se expandiu em direção ao Litoral Norte, e segue por alguns dos principais templos religiosos, como o consagrado ao Senhor do Bonfim e à Nossa Senhora da Boa Viagem. Essa parte da cidade ainda é pouco visitada pelos turistas, mas também guarda histórias e culturas.

Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia é uma das igrejas mais bonitas de Salvador. É a padroeira do Estado da Bahia que foi construída entre 1739 e 1849. É o ponto de partida da famosa Lavagem do Bonfim, no seu cortejo a pé de oito quilômetros até a Colina Sagrada do Bnfim, no bairro do mesmo nome. No seu local havia uma capela de taipa de pilão erigida em 1549. O seu prédio foi feito em barroco e toda obra foi feirta em pedra de Lioz, trazida de Portugal. Se localiza próximo ao Elevador Lacerda e ao Mercado Modelo.

Mercado Modelo é um centro referencial do arte4snato baiano, com peças, principalmente, vindas do Recôncavo. Guarda também a cultura das religiões de matrizes africanas e da capoeira. O mercado foi inaugurado em 02 de fevereiro de 1912 e ocupa, desde 1971, depois de sofrer vários incêndios em épocas distintas, o prédio da antiga Alfândega de Salvador.

Diante da Baía de Todos os Santos, é vizinho do Elevador Lacerda e possui uma arquitetura neoclássica, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Nos seus 8. 410 metros quadrados e dois pavimentos, abriga 266 lojas que oferecem a maior variedade de artesanato, presentes e lembranças da Bahia, contando com dois dos mais tradicionais restaurantes de comidas tradicionais da Bahia, o Maria de São Pedro, com oitenta anos de existência e o Camafeu de Oxossi.

Associação Comercial da Bahia – Ela foi a primeira do Brasil, fundada em 15 de julho de 1811, atendendo a três desejos: – dos comerciantes, para terem um local condigno onde pudessem se reunir regularmente e aí realizar seus negócios, como já vinham fazendo há anos, na própria Cidade Baixa; do Vice-Rei do Brasil, D. Marcos de Noronha e Britto, VIII Conde dos Arcos de Val de Vez, interessado no desenvolvimento da província que governava, sede do maior porto do hemisfério sul na época, já aberto, desde 1808 às “nações amigas”; e do Príncipe Regente, D. João VI, de promover o progresso da Colônia, sede provisória da Corte Portuguesa. Fica nos atuais limites do bairro do Comércio.


Igreja dos Mares – A igreja é um dos poucos templos neogóticos existentes no Brasil e foi erguida em 1749, com os carmelitas, com o templo dedicado à N. Sra. dos Mares. O templo, localizado na Praça dos Mares, foi erguido em 1871. Depois de uma série de modificação, em 1937 foi construída a atual Igreja Matriz. Possui grandes vitrais, rosáceas e interior ricamente decorado, com várias imagens. Sua torre tem mais de 50 metros de altura.

Santuário Santa Dulce – Sempre de portas abertas para acolher e dar suporte espiritual a quem mais necessita, o Santuário Santa Dulce dos Pobres está em funcionamento desde 2003 e foi erguido graças à ajuda de fiéis e das doações. O santuário está localizado em Salvador, ao lado da sede das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), no Largo de Roma, e tem capacidade para mais de 1.000 pessoas sentadas. A igreja começou a ser erguida em 2002, a partir da Campanha do Tijolo, no mesmo local onde na década de 40 do século XX Irmã Dulce havia construído o Círculo Operário da Bahia e o Cine Roma
É no Santuário que fica a Capela das Relíquias, onde estão depositadas as relíquias (termo utilizado para designar o corpo ou parte do corpo dos beatos ou santos) do Anjo Bom do Brasil. A capela é um espaço circular, com pé direito triplo, tendo ao centro o túmulo que guarda os restos mortais da Mãe dos Pobres. O local virou ponto de peregrinação desde 2010, quando o corpo da então Venerável Dulce foi transladado da Capela Santo Antônio (localizada no Memorial Irmã Dulce) para sua nova morada. A transferência foi feita após a exumação do corpo da religiosa, seguida então de uma vigília. Em 2019 o local ganhou um túmulo de vidro com uma efígie em tamanho real da Santa Dulce dos Pobres.

A Igreja Nosso Senhor do Bonfim – É o mais famoso templo religioso católico de Salvador. Está localizado no alto da Colina Sagrada, no bairro do Bonfim, de onde se pode descortinar toda a visão da Cidade Baixa e da Baía de Todos os Santos. Para baianos e turistas das mais diversas religiões, a Igreja do Bonfim é o maior centro religioso da Bahia, on de o sincretismo se manifesta de forma livre.

As imagens de Nosso Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia, vieram de Portugal para a Bahia, através do capitão da marinha portuguesa Theodozio Rodrigues de Faria, chegando no dia 18 de abril de 1745, num domingo de Páscoa e ficando abrigadas na Igrfeja da Penha, no bairro da Ribeira, até 1754. A igreja é o ponto culminante da Lavagem do Bonfim, a maior manifestação de rua de Salvador, só perdendo em popularidade e quantidade de adeptos, para o Carnaval.

Solar Amado Bahia – Este casarão, localizado na Avenida das Naus, defronte à Enseada dos Tainheiros, na Ribeira é simplesmente um dos mais emblemáticos na cidade. Completamente reformado, o Solar Amado Bahia abriga um “museu do sorvete”, com referências históricas e lúdicas à fabricação de sorvetes, além de se propor a receber eventos e exposições. No mesmo complexo, na parte anexa, há uma sorveteria, uma lojinha conceito e ainda um espaço kids.

Com mais de 114 anos, o Solar Amado Bahia foi construído e esculpido artesanalmente, com um projeto colonial de arquitetura eclética. Tem 52 cômodos, mais de 107 portas e uma profusão de cores, estilos e formas, tendo, em quase todos os cômodos, paredes em escaiolas (pintura que imita mármore). O imóvel possui três pavimentos, dos quais dois estão abertos ao público. No primeiro piso há uma visita guiada ao mundo do sorvete e no segundo tem uma capela com detalhes dourados e uma porta com um entalhe magnífico; os quartos das filhas de Amado Bahia e um lindo salão com paredes revestidas de espelhos franceses, vidros de janelas com desenhos delicados como os feitos em cristais.

Com vista para a exuberante Península de Itapagipe, o Solar tem referências de diversos países europeus, tendo toda a sua extensão tomada por um gradil em peças feitas de ferro fundido com chumbo, importadas da França, além de uma escadaria com piso em mármore carrara. Projetado pelo português Francisco Mendonça, o Solar teve sua construção iniciada em 1901 e a inauguração ocorreu com toda pompa em 08 de dezembro de 1904, para os casamentos das filhas do proprietário Francisco Amado da Silva Bahia, Clara e Maria Julieta. O casarão foi doado em 1949 à Associação dos Empregados do Comércio da Bahia. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) em 1981.

Ponta do Humaitá – Nada melhor do que encerrar esse tour histórico da Cidade Baixa no local de onde se tem o mais belo por do sol da Baía de Todos os Santos, a Ponta do Humaitá, entre os bairros do Mont Serrat e da Boa Viagem. Numa elevação que se debruça sobre o mar, a Baía de Todos os Santos, a Ponta do Humaitá é um dos lugares mais charmosos de Salvador, onde a história da fundação da cidade pode ser vista através da velha igreja do Século XVI e do forte militar, construído pelos portugueses como uma das fortalezas para guardar a cidade das invasões estrangeiras.

No local estão parte da história da Bahia, onde foram construídos no final do século XVI a Igreja e o Mosteiro de Nossa Senhora do Monte Serrat, e quase que em anexo, o forte militar, a Fortaleza de Monte Serrat. O local foi considerado estratégico para a observação da Baía e defesa da cidade de Salvador. Além da igreja e do mosteiro, a Ponta de Humaitá abriga um charmoso farol e um píer. O primitivo santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat foi fundado por volta de 1580. Já o forte, foi construído nos limites da cidade, como o último baluarte de defesa, entre 1683 1706.

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