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Uma cidade abençoada por Mãe Menininha do Gantois

Publicado em: 15/02/2020
Por: Adilson Fonsêca


A beleza do mundo, heim!
Tá no Gantois.
E a mãe da doçura, heim!
Tá no Gantois… – Dorival Caymi – 1972

Numa cidade abençoada pela magia herdada das religiões de matrizes africanas, que aqui aportaram ainda no tempo do Brasil Colônia, fica difícil para os turistas e até mesmo para os baianos, visitar todos os centros de candomblé e umbanda, tal a imensa quantidade espalhada pelos mais diversos bairros de Salvador. Independente das religiões, a Bahia é uma terra laica.


Mas há uma exceção. Um destino mágico, que seduz, encanta e parece dizer: “vem, vem”. É o Terreiro do Gantois, no bairro da Federação, um cantinho à parte. Mesmo sem a presença entre nós do seu maior símbolo, vale conhecer a simplicidade do templo e poder dizer: eu pús os pés onde reinou Mãe Menininha do Gantois.
Garanto que será uma experiência única.
Foi naquele pedaço de chão batido, castigado por pés descalços a cumprir rituais africanos que reinou, sem qualquer pompa, a estrela maior do candomblé, Maria Escolástica da Conceição Nazaré, – Mãe Menininha – falecida em 10 de fevereiro de 1986, a quarta Yalorixá do terreiro.
Nascida em 1894, no Centro Histórico de Salvador, Mãe Menininha era uma figura indescritível. Sua bênção era como um passaporte para a felicidade. Seu sorriso passava uma paz e era capaz de milagres. Seu olhar profundo e sua sabedoria pareciam encantar quem se ajoelhava aos seus pés ou apenas a reverenciava, beijando suas mãos.
Ela recebia a todos do mesmo jeito, com a mesma simplicidade. Fossem pobres ou ricos, autoridades das mais elevadas patentes, artistas consagrados, empresários multimilionários ou um desconhecido qualquer. Todos para ela eram iguais. Pessoas dos mais diversos credos a procuravam e ela a todos dava a sua bênção.


O terreiro do Gantois (Ilê IyáOmiYaamassê), fundado em 1849, teve Mãe Menininha como yalorixá desde 1922 e até a sua morte em 1986, foi um dos templos mais visitados da Bahia, formando-se verdadeiras romarias de políticos, artistas e líderes religiosos dos mais diversos credos, para conhecê-la ou apenas absorver um pouco da sua energia.
Através do jogo de búzios, os orixás Oxossi, Xangô e Obaluaiyê escolheram Mãe Menininha como sua líder suprema, ela então com 28 anos de idade. Superando perseguições políticas e religiosas na década de 30, Mãe Menininha abriu as portas do Gantois para todos.
Oxum mais bela, a Rainha do Gantois. Sacerdotisa de uma raça, rainha de uma nação, na luta na defesa dos descrentes, ela sempre estendeu suas mãos. Assim foi e será sempre Mãe Menininha do Gantois.

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